Sozinho, o Cruzeiro ‘morre’; a difícil decisão de deixar, ou não, um time grande desaparecer

Sozinho, o Cruzeiro ‘morre’; a difícil decisão de deixar, ou não, um time grande desaparecer

Em pouco mais de duas semanas de férias, Messi foi campeão no Maracanã. A Itália ganhou a Eurocopa. O Flamengo trocou de técnico. A Libertadores pega fogo.

Mas, na volta ao trabalho nesta terça-feira, uma notícia sobre o Cruzeiro foi o que mais me chamou atenção. Segundo o portal UOL, o time que há poucos anos ganhava o Brasileiro não tem mais canais de TV por assinatura por falta de pagamento na Toca da Raposa, o que atrapalha o trabalho da comissão técnica.

Mozard comandando o Cruzeiro na Série B Bruno Haddad/Cruzeiro

Em nota, o clube diz que o corte da TV paga foi pontual, que negocia pela volta geral do serviço e faz parte dos cortes de despesas para manter a “austeridade financeira”.

O gigante mineiro também foi notícia recente por não pagar a conta de luz.

E tem a ameaça de uma nova punição da Fifa que pode levá-lo para a Série C. Isso se não for para a terceira divisão no campo mesmo: na sua segunda temporada na Série B, é apenas o 16o colocado, uma posição acima apenas da zona do rebaixamento.

Não adianta. O Cruzeiro não vai sair do maior buraco que um time grande brasileiro já viveu com suas próprias forças.

E aí entra uma grande discussão: rivais, credores e até os governos devem agir para evitar que um time grande desapareça?

Eu sei. Seria inadmissível qualquer tipo de perdão para as dívidas milionárias e irresponsáveis do Cruzeiro em impostos. Mas também é fato que o Cruzeiro faz parte da história do Brasil.

Credores privados, sejam clubes ou jogadores e treinadores, deveriam perdoar pelo menos parte do dinheiro que o clube não pagou? Fácil falar de fora, mas talvez seja melhor receber parte de um clube que vai seguir existindo do que nada se o Cruzeiro virar realmente insolvente (o que parece cada vez mais próximo).

Poucos times brasileiros se podem dar ao luxo de ajudar um rival. Mas eu, se fosse torcedor do Atlético-MG, pensaria muito bem no que seria o futebol mineiro se o Cruzeiro se tornasse de vez um time insignificante.

A razão deixa claro que a chance do Cruzeiro “morrer” é problema só do próprio clube. Que pague por tantos erros.

Mas isso não é tão simples. Alguma forma precisa ser encontrada para o Cruzeiro não desaparecer.

Paulo Cobos – ESPN